segunda-feira

Colo



mudar-me-ei adentro
em busca do que antecede

recuso a vida emprestada
que se lê notícia
e não pertence a ninguém

recuso a morte emprestada
que comove a todos
e não chora ninguém

caramujarei sozinho
para a única fecunda terra prometida
o amor de minha mãe



poema publicado no Tertúlia Pão de Queijo


sábado

Amor cigano







ondulando ombros braços
                                                onde?
toco os olhos na fina cintura
na firme musculatura
empinada pelo nariz

                  ficou de dançar para mim
                                           sem véus

embaraço
nas tonificadas coxas perco o foco
arredondando nos quadris

                                                     ah
           que não tem fim esta procura

em seu sinuoso traço
acompanho a delgada desenvoltura

                      havia longos cabelos?
                                                evoco
                                mas não está lá

          cumpriu seu destino
           foi queixo à frente
              e nem sorriu

               amor assim
                  cigano

       não se deixa encontrar


Imaginárias castanholas


charme e elegância
chegaram aos poucos

foi só mão, não
foi muito mais

leves beijos
    à língua no doce peito
        e dedos cavoucos
            de roucos ais

nem sei se assim mesmo se chama
e se vai me chamar
mas sei deste olhar que gama
atrai de imediato
como se fossem imaginárias castanholas
em flamencas promessas de amar

foi só tesão, não
foi muito mais
 
já no primeiro tato
coberto do incerto breu
o corpo tremeu
para dizer
         sim
         quero ser o homem seu


domingo

Antes de dobrar os montes


Anoitecer em Porto Alegre






vens
vês que o sol vai se por
urucum na pele tua
             a  morenar

para quedar na lua guardiã
antes dos montes, meu amor
teus olhos
         inda mais lindar

 meu sol vai se adegar 
              para amanhã
              mas antes de entristecer
                                             és tu
                          última à primeira

             inspiração de amanhecer


Amanhecer em Belo Horizonte

Vidas a mais

no quintal da casa de minha mãe
onde deixei minas 
         aos montes de ferro e enxofre
         que aprisionam corpos retinas
         e elevam almas súplicas ruínas

onde guardei brevidades
         que perfumam feijão quase queimado
         aguam casquinha de angu com açúcar 
         o rapar da raspa de arroz alhos e sais

onde plantei saudades
         na mesa sob a bela parreira de uva e docilidades
         no reinar na goiabeira de galhos nunca mais 
         no tempo que vende vento por tempestades


segunda-feira

Triste demais

quando chegavas mais perto
mais belo ficava
teu amor

adegado vinho
aberto
nos lábios

mais dentro
    o quanto flor
mais lá me deixava

e tanto
e mais

mas
foi quando partiste, meu amor
-  me viste quebrar um espelho de lembrança -
que descobri teu rosto no meu
estampando terra arrasada

e nem sequer me vi

ausência de ti
        saudade
ausência de mim
               solidão




 

sexta-feira

Sol da Liberdade


Paulo Vieira - Estudos xilogravuras 018
                                                                      codinome Julieta
o arrogante bradejar deste amor truculento!

não
não faça assim
braço forte sabe não pesar a mão
posto que
   longe ou perto
      todo amor é eterno

em seu seio
seu nome tome nos lábios
sem tomar verdades para si
            (é abraço esmagado
                  em corpo morto)

ao sol da liberdade toda beleza é de todo olhar

não faça assim com seu amor
porque ele
   como você
      é pátria livre

   

sábado

Poema pele adentro

entre o abraço e o rechaço
fica a memória do amor

terneza e tesura


mão alguma passará da minha pele
como a sua


   

segunda-feira

Só


a canção só chora
só o vinho não convém
o verso evapora
o amor não vem


triste demais

sábado

Doce

deixa eu por você na boca
seu leve nome

           e
             de amor 
                  salivar
ttremerr na língua
trocar tocar suas lretas
pulsar em ddoobbrroo
trançar perper nasnas

seu nome chama fogo
morde arde esgarça escalpa

mas
    no ouvido
       assim saído baixinho de minha boca
   acalma
       em doce calda