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quarta-feira

Tão triste


olha-me
ainda dobro as asas que me levam a ti
e melancólico eu vou até que me rende
de tão triste tristonho morrer

qual sonhei
donde trazes violinos eu voei
mais que do céu relampeou
mil vezes cair 
e não me viste 
nos olhos 
mentir

te pertenci
desde que me encantou
com seu jazz nosso jazz com jeito de blues

donde não parecia a nenhum de nós
que tudo acabaria em vão

nem mais um
nem mais a nossa bossa nova ouvir ao longe
dois pra lá dois pra cá de bem mais perto
teu rosto de novo

me feriste
de morte
amor

te pertenci
desde que me entoou
com esta voz e ao redor tudo mudo

donde não parecia a nenhum de nós
que tudo acabaria em vão

nem mais um
nem mais a nossa bossa nova ouvir de longe
e tremer nas pernas um tango leve
um samba canção

me feriste 
de morte
amor

e 
de 
tão triste
vou morrer
de 
amor

  



 

sexta-feira

Perfume de jamais



fim
e se assim for
um simples partir
sonhar a não se crer
no tempo
a descumprir juras de amor?

então
deixa-me ouvir
ao relento o teu tango
a vagar                                                                            
e fugirfundirferirtingir
            em lo uquec ida me nte
o sangue
o espinho
o pecado
o último pecado da flor

cair no esquecimento
vida sem motor
desflorescer no eternamento
que em teu rosto também é
também é jamais

- um lamento latente
  me faz anoitecer a cor
  me faz adormecer a dor
verrugosa flor
  um nada mais a delirar

- sim
  diga por favor
  deixa-me sentir
  sonhar-te o sol nascer
  teus olhos refletir
  o sol se por

então
deixa-me sentir
no longo tango do tempo
alento                                                                              
e fugirfundirferirtingir
em lo uquec ida me nte
o sangue
o espinho
o pecado
o único pecado da flor

e ao encontrar-te no apagar de tudo
sem mais um beijo a mais
teucoloteucalor sem o querer
o que me resta fazer?
cheirar tua rosa revoluto
que em teu corpo agora é
perfume de jamais 


Céu da Serra


"Céu da Serra do Cipó", Guilherme Queiroz



vejo belos portais
leito anil
longas curvas
nas gerais

montes e matagais
saltos vales
serenos matinais

eu não trago ouro
nem ouro levo
largo sorriso
lago azul dos tempos
encantando olhos brilhos
que aquarelo

simples e casuais
que se deixam
ir de leve e mais ao mais

eu não trago ouro
ele não eleva
largo sorriso
lago azul dos tempos
encontrando atalhos trilhas
mel da terra

eu nem trago ouro
nem ele me leva
largo sorriso
lago azul dos tempos
doce manto sobre filhos
chão da serra

amarelo o sol vai
meio que frio
quase escuro
e a noite cai

cantos vinhos luais
sal que traz
corações ancestrais 




Vinílica


que a vida te deu
dissonante suspiro
sol nos olhos
mulheres de Holanda

que te deu a vida
atrevimento
sal na boca
de um liberto Gilberto

que a vida se deu
ao desconserto
leveza de Veloso
Tom de rosas
taças de Vinicius

como se dá toda vida a vida toda
pele nas mãos
alma no fogo

.

sábado

Vinho, flor e tango


ir sempre ir sempre ir e andar só
a te querer a me levar numa lágrima
taça de vinho merlot a me lembrar tinto baton
sorver seu querer evoluir eternar
reflorescer então perfume em mim

deixa-me ir luzir e fruir fruta cor
vou te pernoitar estrela brotar cantiga de flor
num refletir de pele ao sol se por
dourar enluarar e leve enlouquecer de amor por ti

ah céu de doce ilusão
adstringente coração
não me quer
não me quer  
quer não

aroma denso
vaga mais livre que o vento
desendereçada
dama da noite

ai meus belos ares contigo jamais
este tango tonto solitário
só faz doer calo nos pés

triste milonga
por um anjo vagueio 
por onde não sei
eu não sei
sim por não querer saber

mas eu sei que amarei sempre
este peito nasceu só por ti

ir sempre ir sempre ir e andar só
ainda há tanto de mar a sangrar numa lágrima
bandoneón a desacorçoar
ao ver a taça se abrir em pétalas  
para adegar teu buquê em mim



sexta-feira

Como vinho verde

a moça verseja
valseia finos braços
passeia flor
os olhos guia gravita
veste-se de voz
que se converte em corpo que levita

eleva ombros
pele quente e afetuosa
esguia seu meigo jeito
suave no ouvido

boca em leve sorriso
beijo de frescor frisante
amor elegantemente servido

ar júvene que não se perde
como um vinho verde
como uma canção em meu coração


para Corinne Bailey Rae

domingo

Sonho leve e bom

um som leve e bom
adoça o ar
um sonho leve e bom
de te encontrar

vai canção e traga ela pra mim
diga que o amor está aqui
sempre maior
ressoando melhor


a mais tenra voz
que entoei
som mais leve e bom
que já cantei
diz que vou dar-te o mais incrível
deste amor inesquecível

e terei eu um sonho leve também





quarta-feira

Jazz com jeito de Blues


aperta o peito
deleitar-me
deito a embalar-me
ouço
um jazz com jeito de blues  

em sua voz incandescente
clarins desvendar sons
ouço
um jazz com jeito de blues  

venha improvisar
no suor de seu corpo nu
ecoar traduzir encanto  

ainda sonho
adoçar-me  
com seu canto leve
e mais  

ao som do éden
jurar
sempre ouvi-la cantar
o seu jazz
meu blues


sexta-feira

Festa

Tu és
Clamor em canção
O amor se fez a mover
Com mais e mais frisson

És festa
Dançais um belo blues
Sem rota teu corpo a chover
A bailar nu ébrio

Afagas um drink
O ar explica tudo
O fim há de haver

Afora o drink
Tu és vinho tinto
Corpo e alma
Em minhas mãos

és mais
és mais
ôo pra mim
mundo a teus pés

em ritmar
e verter
todo o mal
em festa


quarta-feira

Amor maior



maior
és onde o amor inda raia
a onda o sol se espraia

o mal fez-se flor
o pior mundo que pintei
cores tuas que guardei

e o mar
mostra alma cheia
do amor que eclodiu
não há mais medo

em teu cais
não mais não mais
teus braços tão longe perder
jamais
tu longes de mim
amor maior

tu brotes
em cada brisa do amanhã
a mais breve
mesmo que vã

flor bela
ondas frescor pelos ares
quebram espalham teu charme

em nós
brilho de luz
se abriu
eu choro
de amor nada mais
ôoo de amor nada mais

em fim
nada restou pra mim
ohh
além
de amar
assim
amor maior

em nós
brilho de luz
se abriu
eu choro
de amor nada mais
ôoo de amor nada mais

e quero
um vinho branco abrir
nas ondas borbulhar
espumas a brindar
a tarde a colorir
meu amor
meu amor

amor maior






sexta-feira

Estás demais!

não mais – o tempo diz
eu quis me iludir
teus sais roem meus ais
o afã – nem lembro - enfim se apaga

estás e vais

sem alento esvai-me tu
nem mesmo em dejavu
não negue que virá
num breve que o futuro tem

estás jamais

luas e sois
sempre vão e vêm
as nuvens fecham
elas me entendem

quando o amor vem
não convém
brincar e nem
caçoar de quem quer mais

e é sempre a mesma história
matar o amor na memória
ou fez ou não faz mais
pra não sumires digo agora

- estás demais!

“Bessame mucho”

olho a contornear-te
arco de anca a curvejar
em deliciado bolero a pedir um beijo

arte da dança delícias
toques rosados pelos roçados
espasmos tremores de dorso

delicados cabelos entre dedos
sem medos entre pernas 
sem perdas
ocaso de olhos
de lábios
delírios

Sarah Vaughan "So Many Stars"

terça-feira

Ao ciúme

Adicionar legenda
desilusão
nela frio e frisson
em meio às marcas de batom
rudez de não

meu coração
que sente sofre corrosão
canta chora cantochão
em solidão

roubai meu céu
nem percebi
roubai meu céu
e meu amor

agora eu juro
não mais me fazes inseguro
e no silêncio desanarguro
e eu me curo

deixai meu céu
já decidi
deixai meu céu
e meu amor

quinta-feira

Mais que uma flor

Dama da Noite



deixa-me louco
ao vê-la pela fresta
deixa delírio
pura emoção

embora nunca tê-la
mais que uma flor
um leve olhar
brilhar de lua

oh!
demore sorriso
demore logo
seus lábios finos
derrame amor

um leve incite
um suspiro breve e brando
dói mais ao vê-la
em solidão

e sua imagem
muda meu mundo
em seu exílio
vira e se vai

não sei pra onde vai sem mim
mas sei que fico
amor impossível
minha dama da noite


Sombrio amor

eu a vi tênue
enorme oculta milhões de vezes
desce escolta minhas timidezes
ao pranto

e me cobrirei               
de sombra de luz nem sei
dos montes altos vão cair
mais negros cachos
de noite eterna

eu vi - serei seu
em breves leves insensatezes
espera por mim que lá estarei
mais longe que se viu verei
o rosto
da morte insana
na fenda mais escura
a vi louca linda nua
mas há de ser minha lua

Serenata - Pingos que falam de você


pingos me falam de você
chuva que cai e vai
vestindo luz de lua e estrela
flores no jardim 
pois
pingos que falam de você
ficam sempre

só não me diga que o sol ficou insano
e vai arder até secar você de mim
se isso acontecer 
não

pingos que falam de você
ficam sempre
lacrimejam em mim
ao som
de blues e muito vinho
ou de rimas
e aonde vou tudo rapidamente
chora seu brilho

pingos me falam de você
em névoa neblina que refletem estes versos
canta só pra mim
pois
nem mesmo o sol do meio dia
o dia inteiro
recusa ouvir
serenata sem fim

e aonde vou tudo rapidamente
chora seu brilho

pingos me falam de você
em névoa neblina que refletem estes versos
canta só pra mim
pois
nem mesmo o sol do meio dia
o dia inteiro
levará daqui
seca saudade sem fim


sexta-feira

Brinde ao luar


está charme em jóia ou joio
na brisa sinto expor seus lábios
basta sins e outros sins
por um triz
brinde comigo, vem meu bem

sei, nada é nada, é tarde
desmonto caio tento iludir-me
qual lado da lua você é pra mim?
brinde ao brilho, vem meu bem

- está vindo, tão linda tão minha
oh, raie infinito som
- está como eu sempre quis
raie poemas sutis
- olhar longe, tão meiga tão doce
  desde sempre assim
leve-me além do que diz

brinque de sol e espelho
seu brilho ao céu de amores que atraio
soe seu brinde ao éden também
brinde ao vinho, vem meu bem

- fim, à noite adeus
  sem tê-la aqui
  sim ao longe só finge só foge
  deixa-me a esmo

- brinque comigo
de estrela em soslaio não brinco
- pare de brincar
livre de seus raios

- lembra de mim, não me deixe aqui
o frio vem e entristece
antes do fim, enfim
brinde ao vinho, vem meu bem

Dance no vinho meu bem




dance e eu vou mais além
sonhar em mudar
o mundo e
me por aos seus pés

dance comigo meu bem

depois do fim se revele
antes do fim
tapeie a mim
a bailar sorrir no salão
dance comigo então



suplico bem alto amor
passos de semitons
me alcance
voe mil vinhas ao ventre
só mais... nenhum mais...
só valsa envolta em romance

ouça o que digo e dance
vem
dance no vinho meu bem