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sexta-feira

Saudade em Novembro

Serra do Cipó


entre massas polares e rios voadores 
serena lua de luz fina 
prateia tempera o alto da colina 

nestas montanhas em novembro 
evapora o tenro tempo ao relento 
(o que nunca se poderia saber?) 

nuvens itinerantes translucidam seu rosto 
e vejo você agora 
no breu frio do adeus 
no jardim de pedras 
vestida de vento e neblina



.

segunda-feira

Arco-íris em Outubro

espada do meio-dia
o sol estala no céu desnudo

o calor desvia a luz em assombro
ar agudo ardendo narinas
arranhando olhos que nem lacrimejam mais

come horas derrete corpos desalenta almas

contudo
antes que a vida cinere para sempre
outubro


o escudo - a miragem
milagres em gotas
caem no fim da tarde para além das multicores
leves às soltas
belas meninas
seduzindo a paisagem


sexta-feira

Por um sorriso em seu rosto

Holambra, ano passado



mansa vai densa névoa
e por ela
dança o sol em franjas que servem orvalhados prismas
que colorem a rosa em suaves brisas
e brilha
perfumando o ar que entra pela fresta da janela

é... se lembro-me
ondulando os campos você exubera
e me tinha amor

é... se atenho-me
é no balanço do seu vestido floral
na trança da primavera

é... ainda setembro-me



Para seu desgosto

Tarde de Agosto
 
trago traços dissecados na linha dos olhos
rotas destinos incertos no canto da   boca
marco sirenas partidas inaudíveis
e não escapo às chegadas nefastas


vento agosto apoeirando
o tempo da piora
que se acumula
e se demora
em trinta e um mau agouros


para ser e gostar de ser
lágrima em seu rosto



Poema publicado na
http://www.tertuliapaodequeijo.com

Adeus em Junho



vento afiado 
calafrio testemunho de um adeus
frio
dolorido calado
choque gelado em redemunho

sozinho poesio seu nome
ao vinho queijo e queixume
definho em rascunho

- que a solidão de Junho se consume

sábado

Noite de sol



bela e quente 
seu sangue samba insinuância
bebe becos come cortiços
elegantemente

a cachaça na tumidez da pele negra
lustra a taça dos seios já ouriços
o suor escorre e esguelha a cintura nas mãos
torneia e voluma monteadas coxas

no ranço da sinuosa dança
vibra a virilha às vísceras

alheios em meio à carniça
ao bramido do temporal
tremem nossos corpos e almas
no raio no gozo em lança maciça

febril
fevereiro ferve
noite de sol em seus lábios

Manhã de Janeiro




frescor campeiro 
brisa leve pelos poros 
primeiro arrepio de pele do seu bem-avindo amor 

você avoluma nuvens ao seu relevo 
inspira o sol joalheiro de orvalhos 
você 
flor serenada em manhã de Janeiro 

abranda os olhos 
liberta o coração 
e volta ao vento

Dezembros Relembrados


Um cheiro, uma lembrança nos ares
Comida de avó, alegria de primos
Namoros de inocentes olhares
Plenitude de mundos meninos

Correria e muita brincadeira
Fazenda com verde em volta
Desventura aventureira
Tios fazendo a escolta

Suor e frescor em sombras ciliares
Nadar no remanso que o rio beira
Perigo e frio no fim das tardes
Noites pulando fogueira

Calor de colo, suave sono
Férias para eternas idades
Mais que memória, sonho
Dezembros em Raul Soares