quarta-feira

Jazz com jeito de Blues


aperta o peito
deleitar-me
deito a embalar-me
ouço
um jazz com jeito de blues  

em sua voz incandescente
clarins desvendar sons
ouço
um jazz com jeito de blues  

venha improvisar
no suor de seu corpo nu
ecoar traduzir encanto  

ainda sonho
adoçar-me  
com seu canto leve
e mais  

ao som do éden
jurar
sempre ouvi-la cantar
o seu jazz
meu blues


sexta-feira

Festa

Tu és
Clamor em canção
O amor se fez a mover
Com mais e mais frisson

És festa
Dançais um belo blues
Sem rota teu corpo a chover
A bailar nu ébrio

Afagas um drink
O ar explica tudo
O fim há de haver

Afora o drink
Tu és vinho tinto
Corpo e alma
Em minhas mãos

és mais
és mais
ôo pra mim
mundo a teus pés

em ritmar
e verter
todo o mal
em festa


Resistente amor

ligeiro
sorriu de ternura
- é... você estava todo o tempo aqui!

do barulho intenso o único silêncio
olhar de antever
desejar
espírito livre corpo leve

eterno frescor da resistência
como vinho do velho mundo
que não se submete
à fácil degustação

quinta-feira

Prazer invulgar

Na literatura dos sentidos
Percorro as tuas linhas
Acaricio teus versos

Cada silaba sorvida serena
- sensual cadência -
Toda estrofe palmeada com zelo

Com a calma dos amantes maduros
- Senhores seguros -
Desnudo tua alma pelas letras

Possuo-te além da matéria
Em comunhão etérea
Derramo-me em ti

quarta-feira

Amor maior



maior
és onde o amor inda raia
a onda o sol se espraia

o mal fez-se flor
o pior mundo que pintei
cores tuas que guardei

e o mar
mostra alma cheia
do amor que eclodiu
não há mais medo

em teu cais
não mais não mais
teus braços tão longe perder
jamais
tu longes de mim
amor maior

tu brotes
em cada brisa do amanhã
a mais breve
mesmo que vã

flor bela
ondas frescor pelos ares
quebram espalham teu charme

em nós
brilho de luz
se abriu
eu choro
de amor nada mais
ôoo de amor nada mais

em fim
nada restou pra mim
ohh
além
de amar
assim
amor maior

em nós
brilho de luz
se abriu
eu choro
de amor nada mais
ôoo de amor nada mais

e quero
um vinho branco abrir
nas ondas borbulhar
espumas a brindar
a tarde a colorir
meu amor
meu amor

amor maior






domingo

PALAVRA

O SILÊNCIO GRITA DENTRO DE MIM
COMO UMA VOZ INAUDÍVEL AO MUNDO
TÃO POUCO AOS CÉUS OU INFERNOS

O SILÊNCIO DAS HORAS INQUIETAS
QUANDO O TEMPO DESPERTA FAMINTO
E VOLTA A DEVORAR MINHA ALMA

O SILÊNCIO DO AMOR PERDIDO
SE CONTORCENDO COTIDIANAMENTE
ATÉ FAZER SANGRAR  MEU VENTRE

POR ISSO ESCREVO



JUAREZ GOMES DE SÁ
DEZEMBRO DE 2011

quarta-feira

despoema de amor

para Marcos Pizano




simulo o poema
tal quem
com cerradas pálpebras
simula um voo

o que chamam “poema”
é de papel

o que tua chamas “poema”
me despoeta

: é alarido
vento
redemunho um
quarto de lua um
quarto de núpcias sem
telhado uma
cama em febre aberta
ao céu um
quarto de hóspedes
com paredes de vidro
plantado insone no jardim noturno
sob um céu interno
estreladíssimo


wilson torres nanini
botelhos, sul de minas

sábado

Ressecar jamais

uvas cinzas de tão maduras
em seus olhos
ramas verdes de fechada trama

nunca ressecar
em seu perfume de ausências
sempre lagrimar-se

em sua boca um beijo arde
sol água terra
sangue em seu leito
excedendo à taça em oblação

corporifica para enfim guardar-se
plena de sua beleza
em um gole de vinho

- você adegada no peito

sexta-feira

Estás demais!

não mais – o tempo diz
eu quis me iludir
teus sais roem meus ais
o afã – nem lembro - enfim se apaga

estás e vais

sem alento esvai-me tu
nem mesmo em dejavu
não negue que virá
num breve que o futuro tem

estás jamais

luas e sois
sempre vão e vêm
as nuvens fecham
elas me entendem

quando o amor vem
não convém
brincar e nem
caçoar de quem quer mais

e é sempre a mesma história
matar o amor na memória
ou fez ou não faz mais
pra não sumires digo agora

- estás demais!

“Bessame mucho”

olho a contornear-te
arco de anca a curvejar
em deliciado bolero a pedir um beijo

arte da dança delícias
toques rosados pelos roçados
espasmos tremores de dorso

delicados cabelos entre dedos
sem medos entre pernas 
sem perdas
ocaso de olhos
de lábios
delírios