domingo

Madame

Jeca Tatu - lobato.globo.com

vira a página e estica o orgulho em pontiagudas unhas 
desfila seus versos da altivez de uma rara casta 
fios dedos 
     sem nada tocar 

zomba arqueando repuxadas bochechas em ruge palhaçal 
sobre pele 
     pó funestos 
e joga o cabelo laqueado para além da longa e árida testa 
a dissimular a peruca 
     que desafina 

em falsia (não se vê o olhar) vesga 
envergonha ao forjar lágrimas por trás de pálpebras infladas 
     caídas 
ancoradas em queixo e nariz maximamente erguidos sobre ombros 
     arqueados 

último ato de pleno desbotamento da alma 
a boca trejeita desdém 
     mas em silêncio

- eh... poesiiiaaa, né? ói, nuum vi puressas banda daqui não madame!

  
  

4 comentários:

Assis Freitas disse...

brusca recusa no palavreado do mirar,


abração

Adri Aleixo disse...

Adorei, Pizano :)

Beijo!

Verso Aberto disse...


a palavra que não escorre do olhar
não se faz poesia

abs Assis


Verso Aberto disse...

oi Adriana

obrigado :)