sábado

Mortificações

para o poeta Bispo Filho
Contorcionista 3 - Paulo Vieira

conotou todas as palavras que tentaram traçar destinos
preferiu as da dor ácida 

     sem limite de crueza
          afeto 
               e fereza canina

cantou o outro lado do rio para o outro lado do mundo
abriu faces de outras faces 
      de outra coisa qualquer
           com a lente de aumento 
               do alhar que adolesce

o poeta lambe com prazer a ferida
- não qualquer martírio 
  só os que se movem dos lados para o centro
  para as mutilações de dentro e de fora
  como quem está sempre partindo(se)
  para onde sempre se volta


  

4 comentários:

Assis Freitas disse...

o poeta e o seu círculo: tudo se afia na lâmina da sílaba



abraço

Primeira Pessoa disse...

fortificações.
o que não nos mata, fortalece.

abração, marquim.

Verso Aberto disse...

Assis

Bispo é mestre em martírios
na arte de renascer
se reescrevendo

abração

Verso Aberto disse...

o olhar do outro lado do rio
deseja devorar

mas ele delicado demais
não quer desadolecer

nunca quis, não é mesmo Beto

abs