sábado

Chuva


vais distraidamente
nesta tua capela absoluta
      (disso nada se desfaz
                nada se desata)
vais no teu tempo que se rebela
já não escuta

- e a tua rosa papel machê?

respondas agora
digas ao papel pardo
(um nada que fica e que tudo arde)

por que?
por que tu te vais na chuva?

- e eu que nem teu poema pude dizer!

caprichosa em bela mascara
                             respondas
                                 é tarde?

não sei se responderias
                                 sim
é tarde para esta gota precipitada a borrar a palavra - ainda não poesia

mesmo sem saber
dei a ti (a mim)
cada colorida pétala
(de textura dolorosa!)

                                 suspiro ao vento vácuo
                                 tua pele
                                 tua fala 
                                 teu buquê
como noite que desespera a entrega do sol

é delicado ver-te rosa
   mas és filme árduo
   de lamentos longos e sem lágrima
és minha prosa macerada
           de jardineiro morto

é delicado ver-te flor
   mas és tristeza profunda
   de uma fé que emburreceu

- pra que, meu amor?

(por favor
não te desfaças na chuva!)


   

7 comentários:

Primeira Pessoa disse...

pra que>
uai, o poema tem a resposta, poeta.

nem tudo se desfaz em chuva.

beijão,

R.

José Carlos Sant Anna disse...

"mas é filme árduo de lamentos longos...". A poesia é sempre um lamento longo, um suspiro.
Abração,

Assis Freitas disse...

de torar




abraço

Verso Aberto disse...


a palavra precipitada
é chuva
é poesia antes do poema

abs mano

Verso Aberto disse...


que chova palavra
além de perguntas e respostas

abs

JC

Verso Aberto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Verso Aberto disse...


no belo da flor
- que é delicado -
morrer na chuva

abs mestre