sexta-feira

Desasozinhar-se


em tua voz o fascínio floresce mais
os letreiros cantam: fica!

de sons de máxima cor
sonhamos inimagens

sondas olhares em suaves ondas
ideias estéreis
artificiais

que jardim é esse ao redor?
nada mais cresce
nenhum abraço colo calor
um beijo de boa noite sequer

a voz insiste: fica!

e o tempo passa e enruguece
praga que pela a pele
a terra fenece
sem porquê
sangra resseca enrudece

e a bela ainda mais se oferece: fica!

encanta a feia rosa morta no buquê
sozinha
que - se - nos - abandona
erva daninha

mas, não
não mesmo

agora
poemar é desasozinhar-se

portanto, cato o controle da tevê
e digo: não fico!

parece
mas, na serra
não está só
a flor do ipê 


4 comentários:

Primeira Pessoa disse...

o tempo e suas pequenas maldades, marquinho.
sim, claro, o poema nos povoa.

a imagem do ipê, acompanhado, deixa a serra ainda mais bela.

beijão, poeta.

Assis Freitas disse...

ah poema, este, e tudo o que nele se amplia, desasozinhar-se: conjugo:julgo o jugo



abração

Verso Aberto disse...

manuvéi

há um monstro sufocante
ocupando cabeças
vorazmente

comendo o tempo da gente

só a poesia para nos libertar

abração Beto

Verso Aberto disse...

ao poemar
nossa mais extrema
e contraditória
humanidade

abração Assis